28/06/2018 16h31 - Atualizado em 28/06/2018 16h31

 

 PROCURA-SE POR LÍDERES

"Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto".Juízes 21:25

A sociedade clama por líderes que sejam justos, íntegros, corajosos e ao mesmo tempo humildes. Nunca tivemos tantas personalidades que reivindicam liderança sobre as pessoas, e ao mesmo tempo uma escassez de líderes. Lideranças políticas, sociais e religiosas se pulverizam num tempo em que toda instituição é questionável - fenômeno sintomático da pós-modernidade. Por exemplo, nas manifestações dos caminhoneiros não há consenso sobre quem os representa. Na presidência, Temer detém percentual minúsculo de aprovação popular. Nas instâncias jurídicas e legislativas, a crise não é diferente. Nosso tempo se parece com os dias dos Juízes. Nunca tivemos tantos líderes sem liderança. E a Igreja?

A igreja brasileira, com suas devidas exceções, se rende às expectativas seculares em detrimento das Escrituras. Perde sua relevância. Houve um tempo em que a Igreja liderava por imposição, no período pré Reforma Protestante, por exemplo. Deus nos chama hoje a liderar pelo exemplo, como servos no mundo para a glória de Cristo. A igreja de Jesus é chamada para liderar com toalhas nas mãos, lavando os pés da sociedade que se comporta como ovelhas sem pastor. A igreja foi chamada para influenciar pelo testemunho, serviço e humildade. Os evangélicos insistem que devemos ter um presidente crente, depurados crentes e sinalizam que "os problemas do país acabarão" se isso ocorrer. É preciso lembrar, no entanto, que todas as vezes que a igreja deteve o poder político e econômico ela se prostituiu e perdeu sua essência eclesiológica. Embora isso, todas as perseguições ao longo da história produziram o crescimento e a purificação da Igreja do Senhor Jesus. Líderes genuínos surgiram e o povo de Deus influenciou pelo testemunho do auto-sacrifício.

Líderes verdadeiros são escolhidos organicamente, não artificialmente. Hoje, lamentavelmente, "Pastores" e "missionários" que fazem curso teológico raso e requerem autoridade sem a imposição de mãos de um concílio ou a anuência da Igreja, não são diferentes de presidentes de sindicatos que não representam a ninguém, a não ser a si mesmos. São líderes itinerantes, sem liderança autêntica. "Evangélicos" sem o Evangelho se organizam em conselhos de pastores - com raras exceções, elegem representantes políticos com o objetivo de formar um governo quase teocrático. Exigem dinheiro público para realizar shows e entreter o público gospel que vota com cabresto nos indicados. Numa espécie de Cruzada pós moderna, a internet jorra Youtubers que catalisam o voto evangélico com pautas reducionistas e que agradam apenas a um segmento evangélico no país. Jesus deixou claro que nosso Reino não é deste mundo, pois a nossa liderança não ocorre pela dominância, mas pela humildade: "Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;" Marcos 10:43.

Nesses dias de crise coletiva dentro e fora da igreja, precisamos de líderes. Houve um tempo em que a igreja escolhia seus líderes com base no caráter e espiritualidade e não em popularidade. Precisamos resgatar isso e ensinar, exemplarmente, que a unidade cristã começa pela submissão total e completa ao único Senhor Jesus Cristo e não a César.

Enfim, o mundo verá que nos amamos ao nos submetermos uns aos outros e se inspirará em nossas atitudes como discípulos. Nossa liderança será uma consequência e não um alvo de busca. Não haverá escassez de líderes, inclusive, para todas as esferas que receberão a influência do Evangelho ao invés de proselitismo politiqueiro. Parece utopia, mas não é. O que nos conforta é que Deus sempre levanta líderes autênticos em tempos de crise. Onde estão eles? Procura-se por líderes!

Thiago Gigo Pereira