28/06/2018 16h53 - Atualizado em 28/06/2018 16h53

 

CRESCIMENTO QUALITATIVO

 “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função.”
Efésios 4:15,16

 

É mês de aniversário, dia 24 celebram-se os 76 anos de organização da IPI de Tupã. Estamos em pleno crescimento. No artigo anterior, tratei da multiplicação como vontade de Deus para a Igreja. Antes de crescer para fora, no entanto, é preciso crescer para dentro. As boas árvores, grandes e fortes, possuem raízes profundas e saudáveis. A igreja que cresce saudavelmente equilibra a expansão para baixo e para cima, ou seja, amadurecemos espiritualmente à medida que nos conectamos com Jesus. Nosso crescimento espiritual está diretamente relacionado à nossa autoinsuficiência e dependência de Deus. Sem o Espírito Santo, que injeta vida, não há crescimento saudável em nós. Precisamos estar ligados à videira, que é Jesus, de onde surge a seiva vital para o nosso crescimento integral. O texto paulino acima descreve essa verdade com outra metáfora: a do corpo. Jesus é a cabeça. A partir dele, o corpo unido, sincronizado, harmônico e coeso, expande em amor quando cada membro realiza a sua função. É assim que Deus deseja o crescimento da igreja: submissa à direção espiritual da cabeça, que é Cristo, o Supremo Pastor. Neste artigo, sugiro alguns apontamentos sobre esse crescimento de qualidade espiritual da igreja.

 

  1. Não é o pastor quem faz a igreja crescer; é Deus.

“Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fazia crescer;
de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento.”  1 Coríntios 3:6,7

 

Deus não nos avaliará pelos resultados, mas pelo caráter. O pastor é importante no processo de revitalização da igreja local, mas a ação do Espírito doador da vida é fundamental. O pastor local é mestre que alimenta o rebanho de Cristo com as Escrituras; e não um CEO gerenciador de uma empresa religiosa. O crescimento saudável não advém da aplicação de estratégias pragmáticas para a expansão numérica, mas da ação do próprio Deus que está em missão na história humana e deseja glorificar seu próprio nome através da igreja. O crescimento qualitativo é ação divina. O pastor local é agente que dá direção para a igreja avançar na visão bíblica, mas é Deus quem opera o milagre do crescimento numérico e qualitativo. Por isso, toda a glória e honra pertencem a ele.

 

  1. A oração para crescimento espiritual precisa ser intencional.

Quando Paulo desejava que a igreja crescesse, ele orava. Vejamos:

 

“Que o próprio Deus, nosso Pai, e nosso Senhor Jesus preparem o nosso caminho até vocês. Que o Senhor faça crescer e transbordar o amor que vocês têm uns para com os outros e para com todos, a exemplo do nosso amor por vocês.
Que ele fortaleça os seus corações para serem irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos”. 1 Tessalonicenses 3:11-13

 

A ação de Deus no crescimento da igreja não aborta a responsabilidade do cristão no processo. Precisamos desejar o crescimento qualitativo. A maturidade espiritual depende do esforço individual de cada membro na igreja de Jesus. As disciplinas espirituais são ferramentas para o nosso crescimento pessoal e comunitário. Precisamos, nesse sentido, trabalhar arduamente para esse crescimento espiritual. A graça, pela qual somos salvos, não anula o esforço e sim o mérito. Esse desejo por crescimento espiritual precisa ser ardente tal como na criança que almeja o leite materno. Se é Deus quem dá o crescimento qualitativo, devemos recorrer a ele intencionalmente e buscá-lo fervorosamente.

 

  1. O discipulado é o meio pelo qual crescemos espiritualmente.

“Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação, agora que provaram que o Senhor é bom. À medida que se aproximam dele, a pedra viva — rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele — vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo.”  1 Pedro 2:2-5

 

Muitos chegam em nossa igreja como essas crianças que desejam crescimento. Descobriram a bondade de Deus, mas permanecem infantis em sua fé. É preciso, no entanto, que essas “crianças espirituais” sejam cuidadas através do discipulado para o crescimento saudável. O objetivo maior do discipulado é levar o recém-convertido ao batismo, à integração com a igreja e à maturidade espiritual em Cristo. Ao retomar a figura da igreja como o corpo de Cristo, exorto: cada um de nós, membros do Corpo, precisamos ser intencionais no discipulado cristão. Assim, nossa igreja crescerá em maturidade com a participação integrada de toda a membresia.

 

Enfim, o crescimento qualitativo da nossa comunidade não depende exclusivamente da ação do pastor, mas da intervenção de Deus; isso não anula a nossa responsabilidade. Portanto, façamos discípulos como membros do Corpo de Cristo.

 

Rev. Thiago Gigo Pereira